Como tratar a bexiga hiperativa

Comum a ambos os sexos, a bexiga hiperativa (BH) é uma disfunção urinária que chega atingir a 16,5% da população adulta.

Apesar dos avanços no entendimento da fisiopatologia e fisiologia da doença ainda não possuímos uma droga dita “ideal” do ponto de vista da efetividade.

Treinamento vesical, restrição do consumo de álcool e cafeína, restrição de ingesta hídrica, controle da obesidade e fumo, compõe as chamadas terapias comportamentais. De baixo custo e de simples implementação, mas de íntima relação com a motivação do paciente.

No Brasil existem quatro drogas do grupo dos antimuscarínicos aprovadas para uso: oxibutinina, tolterodina, dariferacina e a soliferacina. Por sua afinidade a todos receptores muscarínicos (M1, M2 e M3) a oxibutina possui maior número de efeitos colaterais, tais como: boca seca, constipação e diminuição da cognição. A tolterodina tem maior afinidade aos receptores M2 com menor efeito de boca seca que oxibutinina. A dariferacina é um anticolinérgico seletivo aos receptores M3 reduzindo os efeitos cardíacos e do sistema nervoso central. A solifenacina tem meia vida longa e é a única molécula que aumenta significativamente o tempo de alerta, melhorando o tempo de chegar ao toalete antes da perda de urina.

A literatura científica ainda é pobre ao comparar os diferentes anticolinérgicos para tratamento dessa doença. Até o momento, pareciam ter igual eficácia no controle dos sintomas. Uma metanálise recente demonstrou que as formulações de liberação prolongada produzem menos efeitos colaterais. Novidades na sua formulação como a oxibutina gel, demonstraram eficácia farmacológica. Porém com a presença de efeitos colaterais semelhantes à forma oral.

Agonista dos receptores Beta3

Descobertas recentes impulsionaram a comercialização do Mirabegron, um agonista dos receptores Beta3: adrenérgicos com atuação no relaxamento vesical e aumento da capacidade vesical. Já disponível no Japão, essa medicação em breve estará disponível no Brasil. A dúvida é se o usaremos isoladamente ou em associação com anticolinérgicos.

Extensivamente utilizados no tratamento da disfunção erétil, os inibidores da fosfodiesterase como o Viagra®, por um achado acidental, mostraram-se eficazes na maioria dos sintomas de BH. Apesar dos resultados, sua indicação ainda é “off label“ e sem estudos consistentes no uso em mulheres.

Produzida pelo Clostridium botulinum, a neurotoxina botulínica (botox®) possui 7 sorotipos que atuam na fenda pré sináptica. Assim, inibem a secreção de acetilcolina na junção neuromuscular. O subtipo A atua por mais tempo e quando aplicada diretamente no detrussor. Através de injeção dentro da bexiga, produz efeitos de redução de hipersensibilidade vesical por até 6 meses.

Ainda na linha da terapia não medicamentosa, a neuromodulação sacral é o estimulo das raízes nervosas sacrais (raiz da coluna vertebral). Age através de eletrodos posicionados próximos a raiz nervosa de S3. Ativa o esfíncter uretral externo e inibe a atividade do músculo detrusor da bexiga. Feita por via percutânea em fases crescentes até um implante definitivo. Uma outra alternativa semelhante consiste na eletroestimulação do nervo tibial posterior (nervo localizado próximo ao tornozelo).

Apesar de tantos avanços até aqui, o principal desafio para um bom tratamento da chamada bexiga hiperativa consiste no seu diagnóstico adequado. Consulte um profissional em uroginecologia para uma avaliação personalizada!

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